Jerzy Grotowsky
24.6.08
13.5.08
As fotos da peça NÃO HÁ LADRÃO QUE VENHA POR BEM
1.5.08
Este fim de semana, A TROUXA MOUXA em Carrazeda de Ansiães
27.3.08
Dia Mundial do Teatro 2008

"Existem várias hipóteses sobre as origens do teatro, mas aquela que me interpela mais tem a forma de uma fábula: Uma noite, na alvorada dos tempos, um grupo de homens juntou-se numa pedreira para se aquecer em volta de uma fogueira e para contar histórias. De repente, um deles teve a ideia de se levantar e usar a sua sombra para ilustrar o seu conto. Usando a luz das chamas ele fez aparecer nas paredes da pedreira, personagens maiores que o natural. Deslumbrados, os outros reconheceram por sua vez o forte e o débil, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal. Actualmente, a luz dos projectores substituiu a original fogueira ao ar livre, e a maquinaria de cena, as paredes da pedreira. E com todo o respeito por certos puristas, esta fábula lembra-nos que a tecnologia está presente desde os primórdios do teatro e que não deve ser entendida como uma ameaça, mas sim como um elemento unificador. A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de se reinventar abraçando novos instrumentos e novas linguagens. Senão, como poderá o teatro continuar a ser testemunha das grandes questões da sua época e promover a compreensão entre povos sem ter, em si mesmo, um espírito de abertura? Como poderá ele orgulhar-se de nos oferecer soluções para os problemas da intolerância, da exclusão e do racismo se, na sua própria prática, resistiu a toda a fusão e integração? Para representar o mundo em toda a sua complexidade, o artista deve propor novas formas e ideias, e confiar na inteligência do espectador, que é capaz de distinguir a silhueta da humanidade neste perpétuo jogo de luz e sombra. É verdade que a brincar demasiado com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas ganha igualmente a possibilidade de deslumbrar e iluminar."
Robert Lepage
5.3.08
Estreia de NÃO HÁ LADRÃO QUE VENHA POR BEM
15.2.08
O elenco de NÃO HA LADRÃO QUE VENHA POR BEM
6.1.08
Evocação Singela de Manuel Herminio Monteiro

Manuel Hermínio da Silva Monteiro, de seu nome, foi um intelectual de ânimo extraordinário, inteligência invulgar e enorme generosidade. Orgulhava-se de ser transmontano de Parada de Pinhão, onde nasceu e perfez a sua instrução elementar, prosseguindo estudos nos Colégios Salesianos em Arouca e Mogofores aonde finalizou o 5.º ano do liceu. Concluiu o 7.º ano do curso geral dos liceus no Colégio Almeida Garrett, no Porto. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Era um lutador com uma disciplina indómita e uma memória prodigiosa. Assumiu a direcção da editora e livreira Assírio & Alvim em 1983, que pela sua capacidade de inovação se tornaria excepcional, desde logo com a publicação das obras literárias de António Maria Lisboa, Herberto Hélder, Mário Cesariny, Mário de Sá-Carneiro, Teixeira de Pascoaes e a publicação da obra completa de Fernando Pessoa. Em 1993 foi agraciado como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Mário Soares.
Concebeu e dirigiu a revista “A Phala” da qual se destaca: “A Phala: Um Século de Poesia (1888-1988)”. Criou na “Assírio”, na rua Passos Manuel, em Lisboa, um espaço (galeria) de arte. Dinamizou as livrarias nos cinemas King, de Lisboa, e no Porto. Foi autor de programas radiofónicos e televisivos. Prefaciou livros e escreveu textos para catálogos de exposições e deu imensas entrevistas.
Lançou a colecção “Rei Lagarto” dedicada à música, dirigiu a revista “MetropoLIS” no âmbito de Lisboa Capital Europeia da Cultura e fundou a Associação Cultural Saldanha. Criou a “Assírio Líquida”, o primeiro bar-livraria no Bairro Alto. Foi um dos fundadores do “Movimento do Partido da Terra”.
Foi iniciador com Miguel Esteves Cardoso, e colaborador, da Revista K, colaborou na revista “Ler”, fez parte do conselho editorial da revista Espacio/Espaço Escrito, de Badajoz. Entrou na criação da revista hispano-americana de poesia “ Hablar/Falar de Poesia”. Colaborou ainda noutras publicações como: “O Independente”, “Jornal de Letras”, “Douro-net”, Revista “Barata”, e o jornal “
Era confrade da Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro, e sobre a gastronomia deixou-nos legados notáveis nas revistas “Visão”, “Epicur”, etc. Defensor do património cultural e natural do país participou no Movimento de Salvaguarda das Gravuras do Vale do Côa e foi sócio do movimento ADRIP, de Cacela, no Algarve.
Hermínio Monteiro legou-nos também literatura dispersa em revistas literárias e de cultura, tais como a “ A ideia anartista”, “ Sema”, “Loreto
A edição da sua obra em prosa já começou com “ Urzes”, numa colecção de “O Independente”, com a colaboração de Manuela Correia, encontrando-se no entanto a maior parte da sua obra poética inédita. E o exemplo acabado de como sabia cuidar a poesia vem da sua direcção editorial da melhor antologia universal “A Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro”.
Aquando do seu passamento ao oriente eterno, em 3 de Junho de 2001, foi realizado em sua memória o suplemento “Mil Folhas” do jornal “Público” com preito de 48 personalidades da cultura. Depois o tributo “Uma Rosa para o Hermínio” no Porto, na Biblioteca Almeida Garrett. Também a Junta de Freguesia de Parada de Pinhão e depois a Câmara Municipal de Lisboa perpetuaram o seu nome na nossa toponímia.
Mais, rememoro os seus propósitos de edificação de uma Casa da Poesia no âmbito da Associação Rosa do Mundo. Para este efeito Manuela Correia, viúva de Hermínio Monteiro, comprou a Quinta da Fonte em Parada de Pinhão. Para a Casa da Poesia existe um anteprojecto do arquitecto Souto Moura. Está em esboço uma escultura de homenagem à poesia, da autoria de Gracinda Marques. È forçoso que as instituições e os amigos de todas as horas dêem as mãos para que se concretizem alguns dos desígnios de Manuel Hermínio Monteiro que deram vida à Associação Rosa do Mundo.
Celestino Silva